No momento, você está visualizando O que será do varejo de material de construção em 2026?

O que será do varejo de material de construção em 2026?

O ano de 2026 deverá se consolidar como um período de pouco crescimento no varejo de material de construção, inserido em um ambiente de desaceleração da economia brasileira, juros ainda elevados por boa parte do ano e menor fôlego do consumo das famílias. Após ciclos de expansão sustentados por estímulos fiscais, maior oferta de crédito e aquecimento do mercado imobiliário, o setor passou desde a segunda metade de 2025 a operar em um contexto menos favorável. Tanto que segundo o IBGE, o volume de vendas no acumulado no ano (até outubro) é positivo em apenas 0,1% no país e apresenta queda de 1,5% no Estado de São Paulo. 

A forte dependência do segmento em relação à renda disponível das famílias e às condições de financiamento será um dos principais vetores de limitação do desempenho em 2026. A expectativa de orçamentos domésticos mais apertados, aliada à necessidade de recomposição de poupança após anos de inflação elevada e aumento do endividamento, tende a provocar um redirecionamento da renda para itens considerados essenciais. Segmentos como alimentação e medicamentos devem absorver parcela maior do orçamento familiar, reduzindo o espaço para grandes gastos adicionais e limitando a demanda por bens duráveis e semiduráveis, entre eles materiais de construção voltados a reformas mais amplas e projetos de maior valor agregado.

Além disso, o varejo já enfrenta a concorrência crescente do próprio setor de serviços, que tem abocanhado uma fatia cada vez maior da renda das famílias. Gastos com turismo, lazer, saúde, educação, transporte e as famosas bets seguem em trajetória de expansão, competindo diretamente com o comércio pela renda disponível. Esse movimento reforça a seletividade do consumo e contribui para a postergação de decisões de compra ligadas à construção e à reforma, sobretudo aquelas que dependem de crédito ou envolvem desembolsos mais elevados.

Nesse contexto, grandes obras residenciais e reformas estruturais tendem a perder dinamismo, afetando especialmente a venda de insumos básicos como cimento, aço, esquadrias e revestimentos de maior padrão. Em contrapartida, o setor não deverá enfrentar uma retração generalizada. A natureza parcialmente essencial do varejo de materiais de construção garante alguma sustentação de demanda, principalmente em produtos ligados à manutenção, pequenos reparos e melhorias pontuais nos imóveis. Itens como tintas, materiais hidráulicos e elétricos básicos, ferramentas manuais, jardinagem e produtos de reposição devem apresentar desempenho relativamente melhor ao longo do ano.

O mercado imobiliário continuará exercendo influência relevante, ainda que de forma mais moderada. Lançamentos mais seletivos, foco em imóveis de menor valor e projetos voltados às faixas de renda média e média-baixa podem gerar demanda localizada por materiais. Os impactos da ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (faixa 4) e as os avanços nas linhas de crédito para a compra de imóveis e para a compra de materiais de construção (Programa Reforma Casa Brasil) podem atuar como fatores de suporte, ainda que insuficientes para impulsionar um crescimento mais robusto do setor.

Do ponto de vista empresarial, 2026 exigirá do varejo de materiais de construção uma postura mais pragmática e estratégica. Margens pressionadas, custos financeiros elevados e maior competição entre os players devem limitar a rentabilidade. A gestão eficiente de estoques, a negociação de prazos com fornecedores, o controle rigoroso das despesas operacionais e a priorização de produtos de maior giro serão decisivos para a sustentabilidade dos negócios. A capacidade de adaptação ao novo perfil de consumo, mais seletivo e sensível a preço, será um diferencial competitivo relevante.

Assim, 2026 se desenha como um ano de cuidados e ajustes para o varejo de materiais de construção. Em um cenário de menor ritmo econômico e maior disputa pela renda das famílias, o desempenho do setor dependerá menos da expansão da demanda e mais da eficiência, do planejamento e da capacidade das empresas de alinhar expectativas a um ambiente de pouco (ou nenhum) crescimento e desafios amplificados.

Fonte: https://sincomavi.org.br/?p=15145

Deixe um comentário